18 de junho de 2013

R$ 0,20 - Confesso que tenho medo deste reducionismo orquestrado

Sempre escrevo minhas postagens com tom crítico, no requinte do meu humor negro (ai como gosto!!). Mas hoje não falo da tinta verde (do hospício) ou da tenda (do circo).
Eu sou uma das que apanhou na época da repressão, estive presente nas manifestações das Diretas Já. Sofri ao ver o prédio da UNE ser destruído e ia aos congressos da UNE (ainda na ilegalidade) lutar por liberdade.
Desde este período, por tudo que passei e vi, tenho em mim a não-violência acima de tudo, e uso isso como bandeira de vida.
E agora, já meio que cansada de ver tantos sonhos patrióticos sendo destruídos, acompanhei com muita alegria estas manifestações iniciadas por conta do aumento das passagens do transporte público e que evoluiu para a luta de melhores condições dos serviços públicos. E deixo aqui muito claro, como no post anterior e nas redes sociais, totalmente contra a violência, depredação e "hackeada" de diversos perfis.
Foto: De Todos os Lados
Mas hoje confesso que tive uma ducha de água fria, e que realmente está me incomodando.
Vi na Rede Globo um depoimento de Eduardo Paes e Sergio Cabral, ambos reduzindo as manifestações apenas ao problema do preço da passagem. Eles disseram que vão negociar subsídios para manter o preço da passagem. Corta para a Record -  Uma reportagem sobre todas as reduções do preço da passagem que estão acontecendo no país.
E de repente em todas as emissoras os representantes das esferas do governo começam a falar sobre a redução das passagens, como se isso fosse o único motivo de todo este movimento.
Tenho medo de que a população aceite isso como se fosse o objetivo único e esqueça de tudo o que passamos nesta pátria corrupta e imoral, onde no calor das manifestações, as maiores arbitrariedades estão sendo votadas e aprovadas.
Em uma pátria onde "o filho teu não foge à luta" mas esquece muito fácil porque luta. Tal e qual Judas-nação que vende a pátria por R$ 0,20.

Apenas para percebermos o que aconteceu hoje, enquanto milhares de pessoas, com ar de vitória, falavam das manifestações de ontem nas capitais e no mundo, o tal do Marcos Feliciano e sua turba conseguiram aprovar o projeto da "Cura Gay" demonstrando a necessidade de um estado laico de fato, e não um estado totalmente retrógrado e medieval, onde religião e política se misturam. (ver a matéria aqui)
Ilustração: Geledes Instituto da Mulher Negra
Outra coisa que me causou repugnância foi a entrevista de Joseph Blatter sobre a manifestação e a importância da Copa para o brasileiro, quando ele diz: "O futebol é mais forte que a insatisfação das pessoas. Eu disse a Dilma e Aldo [Rebelo] que temos confiança neles. Uma vez que a bola rolar, as pessoas vão entender e isso vai acabar". Será que só eu fiquei revoltada com este sujeito falando assim de nós? (ver a matéria aqui).
E por último e não menos importante, a votação do PEC 37 está aí, em nossas portas. Como iremos reagir, como iremos forçar os nossos representantes a votar da forma que o povo anseia e não como eles querem?
Então esta é a hora da sociedade refletir em que caminho queremos seguir, em como nos organizar para lutar pelos nossos direitos, contra a impunidade e a favor de um estado laico. Se não fizermos isso, todo este movimento irá cair no comodismo e depois no ostracismo, e aí, nas próximas eleições, lá vamos nós trocar nossos votos por um óculos, ou fazer campanha para um paespalho qualquer só porque ganhamos uma blusa...

Ilustração: ...E o Blog Levou...
Até a próxima!!!

3 comentários:

  1. Sua colocação foi perfeita!
    não podemos deixar este movimento acabar depois da redução das passagens!
    olha o alerta!!

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  2. Assino junto, Rosangela. perfeito!

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  3. Faço minhas cada uma de suas palavras!

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