10 de maio de 2011

ENTRADAS E BANDEIRAS (1): De Susquez a São Pedro do Atacama

Como eu disse no meu primeiro post, eu escreveria minhas viagens sem ser de forma cronológica, a partir do momento que eu fosse lembrando dos detalhes. Vou aproveitar o momento reclusão obrigatória e vou escrever alguns posts sobre o assunto.
Eu tenho um colega meu do trabalho e sua esposa que vão para Machu Picchu de moto passando por San Pedro do Atacama agora em meados do ano, onde fui em 2007 de carro.
Revolvendo algumas lembranças do meu alfarrábio mental, resolvi escrever estes posts até mesmo para passar algumas dicas para o louco casal - tão louco quanto nós (of course) !! Não acredita?? Pois então visite o blog dele - Viajando de Moto por Aí...
A entrada no Chile foi por Susquez, na Cordilheira dos Andes, mas esta parte está descrita no post CORDILHEIRA DOS ANDES - Susquez, Quebrada de Humahuaca
Já tinham se passado mais de 3.500 km desde que saímos de casa, e ainda tínhamos mais Cordilheira para subir, subir, subir... 
De Susquez a São Pedro do Atacama eram uns 300km dentro do deserto de Salar. Uma região inóspita, que já tinha sido fundo de oceano e que agora chegava a 4.320m de altitude, e dá-lhe falta de oxigênio e nariz a sangrar.
E haja estrada!! Para percorrer tanto chão só com muito rock'n roll!! (é ... uma vantagem nossa sobre a moto- o som rsrsrs)
 E haja sal no caminho!!! Tudo branquinho... Aqui, quem fosse receber o salário (pagamento em sal) estaria milionário.
E para nós, imaginar pessoas morando nestes locais tão a ermo, sem vegetação, água, é surreal. Eu ficava olhando casas totalmente isoladas mas com cercas delimitando o terreno e eu me perguntava: porque proteger "o nada"? Não consegui entender.
Tivemos alguns amigos no caminho, o de brinquinho então era muito fofo. Mas cuidado! Eles são mal-educados, adoram cuspir na gente!
Finalmente chegamos a San Pedro do Atacama, onde entrei em uma briga ferrenha com a aduana, pois eles procuravam avidamente qualquer produto perecível - leia-se minhas maçãs. Foi muito interessante porque a grande preocupação deles não era nada ilegal ou de valor, mas algo que pudesse contaminar as plantações, o que depois durante toda a viagem, consegui compreender, pois a agricultura deles no norte do Chile é muito pobre devido às condições climáticas e de solo, e qualquer infestação, seja por micro-organismos ou animais (insetos, aracnídeos, etc) poderia ser devastadora.
Finalmente chegamos à San Pedro de Atacama, entramos após eu devorar todas as minhas maçãs sentada na fronteira, sem hotel para dormir, sem destino.
Mas isto é uma outra história...
Até a próxima!

3 comentários:

  1. Tania Nascimento10 de maio de 2011 20:54

    Querida Rô.
    Adorei a narração da viagem. Está em forma de Crônica e a leitura é deliciosa !
    As fotos super interessantes e bem tiradas !
    Não tive como não refletir sobre os nossos atavismos milenares, quando você disse: "Casas isoladas mas com cerca delimitando o terreno ...
    ... porque proteger o nada ?"
    Percebo que o nosso velho atavismo é mesmo milenar. Já desde a época das Cavernas delimitávamos o nosso espaço ... mania de posse material, de dizer bem claro para o outro: "Chô, eu vi primeiro !" e memória passada bem viva, da época em que pertencíamos a raça Animal Irracional.
    Bjs e Melhoras.

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  2. Isso mesmo! Eu refleti muito também!
    Obrigada por acompanhar o blog! Estou tentada a fazer faculdade de história, adoro escrever e narrar minhas aventuras!
    beijos

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  3. Adorei passear por aqui, e quero te agradecer pelas palavras carinhosas...
    Obrigada viu.
    Beijos e boa semana!

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