24 de abril de 2011

FIM DE SEMANA FURADO: A Programação Errada que deu Certo

Feriado prolongado é tempo de testar o carro novo para ver se aguenta a pirambeira de ir até Machu Picchu.
E como sempre acontece aqui em casa - exceto para viagens internacionais -  saímos de casa sem destino, sem reserva, enfim! A proposta era testar o carro.
A sugestão de paragem era Conceição do Ibitipoca (MG) para fotografar o Parque Estadual. Chegando lá achamos tudo lotado, sem lugar para ficar sequer em Lima Duarte. Preços altíssimos, cidade lotada de turista, o inverso daquilo que eu chamo de um ecológico fim-de-semana.
Assim sendo, seguimos "para o alto e avante"  e paramos na cidade de Bom Jardim de Minas, uma cidadezinha que não tem absolutamente nada. Mas foi apenas para dormir.
No dia seguinte, tínhamos duas opções: ou voltar para Conceição de Ibitipoca ou seguir outro destino. E assim resolvemos pegar o dia de estrada de chão para testar o TR4.
De Bom Jardim fomos até Santa Rita de Jacutinga. De lá seguimos para a Fazenda Santa Clara, que eu era louca para conhecer mas da última vez que fomos a Conservatória não deu porque estava chovendo e o carro não era 4X4.
Cheguei ao paraíso!! Santa Clara era uma fazenda da época do ciclo do café. Mas que história !!!
Santa Clara era uma fazenda de café diferente. Ela processava o café mas não cultivava café.
Na realidade Santa Clara era uma fazenda de reprodução de escravos, que na época era proibido.
Os escravos bantos vinham castrados da África devido às ordens dos Estados Unidos e da Inglaterra, e sempre os senhores de engenho tinham que comprar os escravos deles. Até que o  Sr. Francisco de Bustamante resolveu "importar" uma aldeia inteira de angolanos para montar uma fazenda de reprodução de negros.
E para os vizinhos, ele trocava 8 sacas de café por um escravo, e assim ele conseguia o café para trabalhar e servir de fachada para o governo que tinha cedido as sesmarias para produção de café. E como eles tinha que disfarçar, os escravos não ficavam na fazenda, mas em senzalas de reprodução no meio do mato na Fazenda São Bento.
Como a  Igreja Católica proclamou os negros como seres sem alma, assim como os animais, as negras "procriavam" a partir dos onze, doze anos em media (primeira menstruação), e como tinham que reproduzir, amamentavam apenas no primeiro mes para induzir a fertilidade e assim costumavam morrer com 13, 14 anos pois o organismo não aguentava.
Eu fiquei chocada com a história!
Existiam as masmorras onde os escravos rebeldes eram algemados e supliciados. De todos os "artefatos"  de punição (tortura!!!) o que mais me chocou foi o suplicio, onde a cabeça, braços e pernas eram presos no tronco e o escravo sequer conseguia colocar o bumbum no chão para repousar, e por conta desta posição, quando recebiam as chibatadas sempre causava a fratura nas vértebras, e por causa disso os escravos eram sacrificados por falta de utilidade. Como eles não podiam chorar ou gritar, eles arranhavam a parede de dor.
Acredite se quiser fiquei tão chocada na masmorra que cheguei a cair de costas! perdi o equilíbrio e tomei um tombo feio!!!
Esta fazenda também foi uma das sedes onde se reuniam os maçons da época do império para realizar suas reuniões. Veja que interessante a nave da capela. A pintura principal é completamente preenchida com elementos da  maçonaria, como o martelo e o compasso (abaixo do lençol de Jesus) e o triangulo vermelho formado pelo manto de Nossa Senhora.

Depois deste período, a sede tem a chegada do rádio em 1901 devido à chegada da luz elétrica (essa foto ficou linda, não acha???)
 Ahh... sabe de onde vem o doce pavê?? Os mostruários de doces nesta época ficavam expostos nestes móveis parecidos com cristaleiras à mostra para os convidados escolherem e as escravas fazerem para sobremesa.

Após este período a fazendo foi um cassino e foi passando de descendente a descendente até os dias de hoje. A Adélia, que é a descendente que levantou toda a historia da fazenda, me disse que ela está sendo vendida para um alemão que vai revitalizá-la e transformá-la em hotel fazenda, mas segundo ela, não para o "bico" da maioria dos brasileiros. Será um Hotel Fazenda de turismo histórico para europeus. Só de investimento,  a Adelia nos contou da ordem inicial de 10 milhões de reais! Ela eté falou que o interesse da família era manter a fazenda, mas sem o auxilio do governo, sem ser patrimônio histórico, os descendentes não tem como injetar investimento e manter a estrutura da casa;

Então, se voce quiser conhecer este pedaço da história viva do nosso país antes de pagar em euros, acho bom ir logo...
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Carol, voce que me pediu para dar uma opinião sobre o TR4, o meu - que é automático - não dá muita segurança, principalmente nas ultrapassagens da estrada. Algumas vezes que acelerei, ele ficou "gritando"  e não desenvolveu como um 2.0. Na estrada de chão ele também ficou um pouco a dever, ainda mais quando estava na 4X4 de baixa. Procurando hoje nos sites de carro, também fiquei sabendo que a Mitsubishi não dá muito apoio aos clientes, o que me descartou até mesmo a troca desta TR4 pela Pajero Sport diesel.
Bom... para Machu Picchu, estamos pensando em investir em uma outra Hilux, pois não estou confiando nesta TR4 pela Bolívia ou pela transpantaneira.
Até a próxima!

19 de abril de 2011

VIAGEM A MACHU PICCHU: A Volta do Bicho Carpinteiro

Bateu Bicho Carpinteiro de novo!
Depois dos dois anos sombrios que passei, estou começando a planejar uma nova viagem. Vou a Machu Picchu!
Mas claro! De carro! Serei a co-piloto e navegadora de mais uma aventura.
Como devo ir do meio do ano para o final (trabalho...excesso de trabalho) terei um bom tempo para fazer o roteiro.
A primeira parte da viagem vai ser chegar ao Acre, entrando por Assis Brasil que marca o ponto de encontro entre Brasil, Peru e Bolívia. Mas até lá ainda tem Mato Grosso, Rondônia... um pouco mais de 4.000km.
Mas para quem já foi ao fim do mundo seguindo os passos de Darwin, isso é moleza!
O carro já está preparado. Será com um TR4 carinhosamente apelidado de Enterprise. A seleção musical já está sendo feita,afinal... haja estrada!
Com certeza eu irei dar todas as informações possíveis, e claro! Dividir estes momentos de prazer absoluto!

Até a próxima!!

13 de abril de 2011

A COZINHA E EU (2): Antepasto de Berinjela ao Forno

Atendendo a pedidos de minha querida amiga Tania...
Eu sempre gostei de cozinhar, e desde que tirei esta semana de folga que venho querendo fazer um petisco para degustar com vinho, que não fosse os triviais queijo, azeitona, pastinha etc.
Como eu gosto muito de berinjela, resolvi fazer um antepasto com ela. E demora menos de uma hora para fazer, e com o mínimo de trabalho!
Ficou uma delícia!!!
Em primeiro lugar, eu deixei duas berinjelas cortadas em cubinhos pequenos. Esta berinjela deve ficar de molho por 4 horas ou de um dia pro outro na geladeira, o que acho mais fácil: corta, enche d´água, coloca na geladeira  e vai dormir rsrsrs.
Depois coloca a berinjela em uma travessa regada com azeite e coloca no forno com fogo baixo/médio para murchar. Eu prefiro colocar em uma teflon para não agarrar, pois assim ela cozinha no próprio caldo.
Enquanto murcha, voce faz uma mistura de azeitona preta, cheiro verde, cebola, pimentão, alho e orégano (ou manjericão) tudo cortado BEM pequenininho. Só depois coloque o sal, (se quiser)  pois a azeitona preta já é bem salgada.
Tire a berinjela do forno, misture tudo e regue com mais um pouco de azeite.
Volte para o forno, mexendo de vez em quando para pegar bem o gostinho e sirva.
Fica uma delícia com torradinha, e se sobrar ( o que acho difícil...) guarde na geladeira e coma sempre que quiser. Também fica uma delícia nas refeições, mesmo porque foi adaptada de uma entrada rsrsrs.
Como tem o sabor muito marcante da azeitona preta, o ideal é ingerir com vinho tinto. E cá para nós, um Pinot Noir é tudo de bom...
Fica simplesmente MA-RA-VI-LHO-SO para receber os amigos para uma taça de vinho.
Também pode ficar pronto na geladeira para agradar aquela visita inesperada.
Até a próxima!

12 de abril de 2011

WISH YOU ARE HERE

Passou-se mais uma quinzena. Fiquei fora de casa, com saudades de meu lar mas o mundo não parou de girar. O tempo passou, as coisas caminharam como escrito na Lei de Deus, e tudo prossegue.
Como você está careca de saber, para mim é muito triste ficar longe de casa.
Mas eu acredito muito no que nós fazemos com nosso pensamento, e eu tinha duas opções: ou ficava 15 dias triste, irritada e mau-humorada e ter uma bela dor de estômago ou ficava 15 dias triste mas aproveitando a presença de amigos que pouco tenho oportunidade de ver por causa do trabalho agitado de cada um, de bem com a vida . E eu resolvi ficar bem, como contei no post anterior. É tudo uma questão de escolha. Eu não tinha que ir por ser meu trabalho? então que eu passasse da melhor forma possível. Ah... e claro! o tablete GG do chocolate estava maravilhoso!! Comi pedacinho por pedacinho, com o último deles na hora de entrar no helicóptero para desembarcar.
Mas é impressionante o número de pessoas que ficam se martirizando por situações que não tem jeito ou já estão presas no passado. Vixe! Quem gosta de passado é museu, quem fica parada no tempo é a porta - e isso por falta de opções.
Mas nós temos a liberdade de escolha, e eu vou sempre escolher estar bem. Assim com todo mundo, sofro, fico triste, passo dificuldades, choro,caio e levanto, mas me deixar abater pelas dificuldades da vida seria a pior coisa a fazer.
Eu conheço uma pessoa assim, fica apontado o dedo para o o outro e culpando-o pela sua infelicidade. Burra desta pessoa, que delegou a sua felicidade para outro. A felicidade é tão "pessoal e intransferível" que eu acho burrice e incompetência delegá-la a outra pessoa que não a nós mesmos!
 E por falar nisso, apesar do intenso trabalho doméstico que vivo nesta folga, hoje foi um dia especial.
Convidei Johann para ir comigo em um rodízio de pizza e lá  conversamos horas a fio! Tudo aqui em casa SEMPRE começa pela música, Pink Floyd, Deep Purple... e acaba comigo contando as histórias da família.
Ele está na fase "anarquia" e fomos conversar sobre a filosofia anarquista e claro! ele entendeu até mesmo algumas atitudes minhas. E por incrível que pareça, ele me pediu para pegar na Histórias e Estórias o livro "Anarquistas Graças a Deus", de Zelia Gattai.
E de tanto falar de música e política, corremos para casa para escutar o bom e velho Pink Floyd, o dvd Pulse. Até mesmo para ele entender porque aqui em casa não vale o "all in all it´s just another brick in the wall".
E no mais, a vida é feita de bons e maus momentos, e nenhuma das duas situações é eterna.
Até a próxima!!

6 de abril de 2011

ENTREI DE GAIATA NO NAVIO: Que Nada!!!

Hoje já completo dez dias embarcada na plataforma.
Longe do filhote, dos cachorros doidos, da minha casa linda, da minha rotina.
Eventualmente eu tenho que realizar parte do meu trabalho embarcada, e estes dois meses seguintes serão assim.
Até que eu fico triste longe de tudo, mas sempre tem algo aqui para me alegrar.
Voce se lembra quando eu estava na P-53 na primeira vez, não conhecia ninguém e acabei na sala de uma galera maravilhosa??? Pois bem, para minha alegria eles embarcaram esta semana e a gente já riu muito!
Como foi bom rever meu queridos TurBinateMen!!!
E claro! Não poderia deixar de contar a história do "Imagem e Ação". No Carnaval o pessoal daqui não conseguiu embarcar (não teve vôo) e ficaram em Campos sem nada para fazer. Aí alguém teve a idéia de comprar o jogo Imagem e Ação, e trouxeram para bordo. A gente joga depois da janta e é muito divertido ver o pessoal fazendo a mímica. Imagina a mímica de Sigmund Freud!!! Fantástico!!! E o melhor que é a hora da descontração, onde brincam todos juntos, do cozinheiro ao engenheiro. Sem discriminação! 
Amanhã já saio daqui e transbordo para outra (pego um helicóptero de uma plataforma para outra).
E olha que coisa mais legal! Já terei lá um grande amigo me esperando com uma barra ENORME de chocolate Diamante Negro (Uhuuu!!), daquelas que a gente come em vários dias, sabe.
E isso me faz tão bem! São os pequenos gestos que fazem a gente perceber o quanto somos queridos pelos outros.
eu e meu modelito "sukita"
Não sei se voce sabe, mas não precisam gestos grandiosos para demonstrar o quanto somos especiais. Às vezes é só a palavra certa pra gente se sentir encaixada na vida do outro.
É bom mesmo a barra ser tamanho gigante! Só assim eu aguento até domingo, degustando pedacinho por pedacinho, quando desembarco e volto para "Home Sweet Home".
Até a próxima!

1 de abril de 2011

SIMPLICIDADE VOLUNTÁRIA (4): Vida Simples NÃO É Vida de Solidão

Nada mais chato do que o cara que acha que a simplicidade é abrir mão das coisas e se isolar do mundo de relação, se isolando em um sitiozinho mixuruca e sem recursos.
Ai ai esse povo que acha que a simplicidade passa pela pobreza (do espírito e do corpo)...
Na realidade eu estou constatando que é justamente o contrário, acredite se quiser!
Como eu estou nesta mudança de paradigmas em minha vida, ando cortando um monte de arestas e estou vendo que realmente o tempo sobra!!
Quer ver um exemplo? A televisão...
Antes eu ficava um tempo bem maior vendo TV, geralmente emendava um programa no outro, CSI atrás de CSI. E haja reprise de temporada.
Me eduquei a não ver mais as reprises. Parece bobagem??? Mas não é! Com isso eu ganhei uns 70% de tempo para fazer outras coisas. Deixei de ver? Não, apenas me condicionei a não ver episódios repetidos.
Com isso ganhei aquele tempo que falei no post sobre o livro e o vinho.
E tem mais, acabei ganhando um tempo livre sabe para que??? Ligar para aquelas pessoas que há muito tempo deixei de “ter tempo para ligar”. E nessa, os papos são colocados em dia, a vontade de se ver surge e eis que temos uma noite maravilhosa recebendo os amigos em casa, tornando-a mais aconchegante ainda.
E rola uma boa música, rola histórias, e assim tornamos nossos laços de amizade mais coesos ainda..
Cada vez que você opta pela simplicidade, você está se utilizando do livre-arbítrio e como a escolha passa a ser sua, a vontade de realizar entra em ação.
E assim estou estreitando os laços de amizade, priorizando as pessoas ao invés das coisas.
Eu estou embarcada. Estou trabalhando feito uma condenada (tem até o macacão laranja das séries americanas), mas é muito bom ser receptiva a conhecer novas pessoas, novas vivências.
Eu tenho por hábito não conversar de trabalho na hora de almoço e depois do trabalho, então imagina o universo de culturas, experiências que eu estou conhecendo e aprendendo.
Vale a pena promover estas pequenas mudanças, permita-se dar até logo para a televisão e dizer um como vai para a vida...
Sempre terá alguém disposto a “um dedinho de prosa”
E claro, sempre com os amigos à volta!
Até a próxima!!!