25 de março de 2011

SIMPLICIDADE VOLUNTÁRIA (2):Vida Simples NÃO é Vida de Pobreza ou Privações

O que é supérfluo?
O dicionário nos diz que supérfluo é: Que é demais; inútil por excesso; desnecessário. 
Só que em na nossa modernidade, onde a idéia coletiva se faz mais presente do que a individualidade, acabamos incorporando como "supérfluo" algo que já consta em uma lista pré-existente em sites de educação financeira ou auto-ajuda.
Há algum tempo eu analiso estes sites e o que vejo basicamente é cortar o que não estiver relacionado com moradia, saúde e alimentação: cinema, jantar fora, viagens, etc? Supérfluo!!!
E comecei a perceber que ao almejamos um futuro melhor - desta forma - recrudescemos ao mito do "bom selvagem", ou seja, vivemos para comer, morar e nos mantermos saudáveis fisicamente ... como os antigos...
Cortamos o cinema, os livros de leitura, o polenguinho, o danoninho. A lista é enorme!
E na realidade pensando em cortar o mal pela raiz, acabamos apenas utilizando paliativos, pois assim que sobra um dinheirinho, voltamos às compras.
E quando comecei a analisar esta questão, vi que por trás das análises das necessidades temos um caminho enorme para o auto-descobrimento.
Como assim?????
A primeira coisa a refletir é: compro o artigo A por fuga, por compulsão, ou por prazer?
Nos primeiros casos - fuga e compulsão, temos que avaliar o que tem por trás disso. 
Se compro por fuga, posso estar comendo ou praticando alucinadamente esportes pelo mesmo motivo - só mudo o objeto. E aí o importante é descobrir e tratar a causa. 
Se compro por compulsão, tudo que vejo ou que anuncia na televisão se torna necessário para mim. Da mesma forma da fuga, devo analisar as causas. Onde está este buraco dentro de mim que deixo evsvair minha real essência?
este exercício é obrigatório para sucesso da vida simples.

Agora, se compro ou possuo alguma coisa por prazer ou bem-estar? Quem poderá quantificar isso para mim?
Será que eu ficaria bem sem esta coisa ou ela é imprescindível para mim?
Existem muitas coisas no nosso dia-a-dia que aos olhos do mundo são supérfluas porque não são levadas em consideração nossa individualidade e o que nos faz bem.
E eu tenho dois exemplos muito claros disso,que fazem parte desta minha análise e mudança de paradigmas, e aqui divido com você.

Perto lá de casa, tem uma cafeteria que vende um café expresso com trufas de amêndoas que é dos deuses!!! E eu tinha o hábito de passar por lá e tomar este café. Me dava prazer os momentos em que eu sentava a olhar as nuvens e saboreava o café, mas quando fui analisar vi que não era imprescidível, e que eu viva muito bem sem ele, obrigado! Que legal! Para cada cafezinho deste eu passei a economizar R$7,00, que dava uma média de R$100,00 reais por mês. Legal!

Agora, em contrapartida, eu sou sócia de uma locadora de livros que pago mensalmente, a História e Estórias. Eu sou uma amante da literatura e AMO LER! E sabe o que me dá um prazer danado? Lá por volta das nove da noite, quando todos os afazeres de casa acabam, que estou sozinha, eu pego meu livro, meia taça de vinho tinto e fico na sala ou na varanda lendo. São momentos que eu descanso a mente, entro na história e relaxo.
Voce não tem noção, não tem como mensurar o prazer que isso me proporciona! A casa em silêncio, Johann no quarto, TV desligada, rua silenciosa. Tudo de bom!

Mas quando eu comecei a conversar com as pessoas sobre meios de economias em casa, a maioria das pessoas diziam para cancelar a locadora, que alugar livros é supérfluo. Para quem?
Tenho certeza que se eu suspendesse este prazer em nome da economia, eu iria me sentir tão triste, mas tão triste que poderia me afetar de alguma forma.
Ah... então corta o vinho! OK! Não é imprescindível. Tanto que quando não tem, um chá quentinho feito com a menta que colho da minha horta fica di-vi-no!

E aí começamos a entender a questão da simplicidade. Porque abrir mão do cafezinho foi tranquilo porque não me reportava a vivências tão positivas. Mas no livro, em cada momento que passo lendo me enleva os sentidos, me dá uma paz tão grande! E não é só a leitura! Embora tenha entrega em domicílio, tenho o prazer de ir na Locadora trocar meu livro. "Ah... que trabalho" - pensa voce!
Nada disso! Rola almoço com a dona, uma hora (no mínimo!!) de bom papo. Enfim! São várias coisas associadas.

E agora? Continua achando supérfluo?
Para outras pessoas pode ser a locadora de vídeo, a internet com infinitos mega, até mesmo o cafezinho que dispensei..
E na sua vida, o que te dizem que é supérfluo? E na sua vida, o que te faz feliz?

Até a próxima!

3 comentários:

  1. Rosangela
    Muito interessante seu ponto de vista. Realmente nos faz refletir sobre supérfluo e necessário. Seu caso da locadora e do café foi fantástico!
    Aguardarei ansiosamente os outros posts
    bj

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  2. Rô, estamos neste mesmo dilema que o seu. Estamos em obra no apartamento novo, então já viu, né?!
    Realmente temos que pesar todas as coisas que nos parecem supérfluas. Algumas pequenas coisas são responsáveis pelo nosso bem estar! E o que mais nós buscamos senão ele?
    Beijos!!!
    Tô com saudades, daqui a pouco estou me mudando aí pra perto da sua casa, hein? Vamos tomar aquele cafezinho?

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  3. que bom que vai ser minha vizinha!!! Aqui na minha rua??? Vcs serão muito benvindos aqui em casa!!
    E claro que o café está de pé!!
    bjs

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