13 de janeiro de 2010

Deliciosamente TORRONTES

fotos: Minha casa e Salta
Quando fiz minhas andanças pela América do Sul, tive o prazer de conhecer no noroeste da Argentina, mais precisamente na região de El Cafayate / Salta, uma variedade de uva chamada Torrontes.
Esta uva é cultivada em um dos terrenos mais áridos da Argentina, quando estamos seguindo para atravessar a Cordilheira dos Andes.
Este vinho é simplesmente maravilhoso, e tive a oportunidade de conhecer as vinícolas de Torrontes e saboreá-lo na viagem que fiz.
Além de tudo, nesta região fica a cidade que mais amei na Argentina, a cidade de Salta, que possui um riquíssimo acervo cultural, dentre eles as múmias mais bem conservadas do mundo. São “As Crianças de Llullaillaco”. A mais bem conservada (devido às condições climáticas) é a menina mais velha, que parece que vai acordar a qualquer momento. (a foto dela abaixo foi tirada da internet, da página das mumias de Salta, no NATGEO (http://www.natgeo.com.br/ pois  o museu não permite fotografias).

Foi lá que tive um contato mais direto com a civilização pré-colombiana, com museus e exposições fantasticas
 

Salta por si só já é um sonho de cidade, com suas ruas lindas e seu povo hospitaleiro. Se algum dia eu mudar minha filosofia de “não pise no mesmo chão duas vezes” com certeza a primeira cidade de minha lista será Salta, com seus museus maravilhosos e seus bares iluminados. Em Salta eu tomei meu primeiro (e único) porre de champagne, o que foi uma experiência única, pois no final do “evento” eu já sonhava com uma banheira espumando de Chandon.


Fachada do Museu de Salta
E claro que não poderia passar por tirar sem tirar uma foto de meu grande ídolo San Martin, o Libertador das Américas...
Voltando ao mundo atual...

Lembra quando eu escrevi sobre o frisante Lunae e falei desta "locadora adega" que existe no meu bairro?
Pois bem, o dono tem interesse em se especializar em vinhos não comuns, ou seja, aqueles que não existem em prateleiras de mercados ou lojas de vinho.
E sabem o que ele trouxe semana passada? Um Torrontes.
Quando recebi o anuncio do vinho pelo e-mail, saí igual a um foguete para comprar algumas garrafas.
Chegando lá procurei avidamente pelo vinho e quando a atendente percebeu tamanho interesse, contei a historia do vinho e como eu o conheci... ela ficou apaixonada... afinal foi com um olhar pela Cordilheira que o vi pela primeira vez...

O mais interessante é que no dicionário Larousse do Vinho (Ed. 2005) não consta esta variedade, mas sintam a beleza com que a vinícola que produz este Torrontes, o Crios de Susana Balbo (Dominio del Plata), descreve seu vinho...
“Crios significa filhos, e refere-se tanto aos meus filhos quanto aos meus vinhos, que apresentam amáveis aromas de frutas e um excelente equilíbrio. Torrontes é uma variedade aromática exclusiva da Argentina, que mostra sua expressão mais fina na província de Salta, onde 1500 metros de altitude, tempo seco, sol intenso, noites frias e solo arenoso revelam sua verdadeira natureza. Este vinho combina um aroma floral e cítrico intenso, similar ao da uva Viognier, com um gosto seco e definido de um Sauvignon Blanc. E sem nenhum carvalho – apenas uma boa atenção maternal.”



Se você quer experimentar um vinho leve, novo e que combina muito bem com nosso clima, deixe-se levar por este vinho maravilhoso chamado Torrontes. Você vai gostar!
Afinal como diz Pasteur:

“Existe mais filosofia numa garrafa de vinho que em todos os livros.” (Pasteur)

Até a próxima!