7 de dezembro de 2009

ELEGÂNCIA - Toulouse-Lautrec não era Elegante

fotos: Maceió (AL)
Como voces sabem, nada me tira tanto do sério como estes textos apócrifos da internet.
Quando vejo textos como o do camarão com vitamina C, da dioxina, textos de Einstein, de Shakespeare, eu fico irritada, não com os que o fazem, mas com os ignorantes os propagam.
Dá a sensação "cinza" de ignorância epidêmica. Para mim e minha crise já é caso de Saúde Pública!
Se Shakespeare não aprendeu nada, Toulouse-Lautrec não era elegante!
Mas por favor, não contem às centenas de donos de blogs e sites que colocam mais este texto como um grande ponto de reflexão e os amigos que repassam emails que eles estão na classe dos enganados, ok?
Segundo algumas "informações", este texto foi extraído de um livro chamado "EDUCAÇÃO ENFERRUJA POR FALTA DE USO" escrito pelo pintor francês, Henri TOULOUSE-LAUTREC (1864-1901).
Alguém já teve a curiosidade de ler a biografia deste fabuloso pintor? Pois bem, ele NUNCA escreveu livro nenhum! Não acreditam em mim? Procurem da internet este livro para fazer download ou para comprar. O que? Não foi traduzido? Procure na amazon.com.
Não estou aqui para denegrir a imagem de Toulouse-Lautrec (seria muito deselegante!!), que para mim foi um grande artista de sua época, mas se alguém conhecesse - pelo menos superficialmente - a sua biografia, saberia que ele não escreveria um texto destes. Se quiser saber sobre ele (e vale a pena!) procure em sites confiáveis a sua biografia.
A propósito, ele nunca escreveu texto nenhum...Mas como estou naquela famosa "minha crise dos 40" (descrito no texto "inteligência acadêmica e inteligência filosófica"), resolvi questionar um pouco este texto, e algumas frases são ótimas para isso!
O texto "original" está logo abaixo, ok? Aqui só comento algumas frases (em negrito)
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto
Hum.... isso eu vou deixar voces procurarem na internet ... quando que voces acham que surgiu a máquina fotográfica? Vão me dizer que na época de Toulouse já existia, mas na época dele, eram máquinas onde os fotografados tinham que ficar estáticos por minutos para não produzir apenas um borrão. Então me digam, como poderia haver os fotógrafos por perto? Afinal, eles não tinham como correr atrás dos famosos né? E na sua época, Toulouse era tudo, menos famoso.
Em determinado momento TL (para os íntimos, rsrsrs) fala o seguinte: (a elegância) ... É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas.
Epa!!!! Se TL morreu em 1901, antes mesmo dos carros serem produzidos em série, antes mesmo de Ford e sua fábrica, até mesmo antes de termos como combustível a gasolina, como que existiam frentistas?
Será que a origem dos frentistas é de encher a barriga dos cavalos com feno e depois eles foram realocados (reengenharia do século retrasado) para encher os tanques de gasolina, cujos postos só surgiram por volta da primeira guerra?
(...) ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando, e só depois mandar dizer se está ou não está.
Gente, pelo amor de Deus! Quantos telefones voce acha que existiam neste período? Não me digam que em cada casa ou empresa tinha um telefone no fim do século XIX! mesmo porque nosso Grahann Bell era americano e demorou anos até que o sistema telefônico chegasse à Europa.
Enfim, cansei de listar as pérolas do texto! Para o golpe de misericórdia, me reportanto à época de TL vivo (Ah... ele morreu aos 36 anos de sífilis, após tanta dedicação à boemia, ao alcoolismo e à prostituição) voce consegue imaginar pelos finais de 1800 alguém falando os termos "bate-papo" , "brucutu", "frescura" e "enferrujar"?
É demais, concordam? Mas de uma coisa eu sei! É extremamente deselegante encher nossos e-mails e sites da internet com estas baboseiras sem analisar a veracidade. Com certeza!
Voce fez isso? desculpe, mas voce é extremamente deselegante!
Até a próxima!
Elegância
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca-a-boca.
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando, e só depois mandar dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para fazê-lo.
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição.
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto. Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.
É elegante a gentileza; atitudes gentis falam mais que mil imagens.
Abrir a porta para alguém, é muito elegante.
Dar o lugar para alguém sentar, é muito elegante.
Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma.
Oferecer ajuda, é muito elegante
Olhar nos olhos ao conversar, é essencialmente elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social; é só pedir licença para o nosso lado brucutu, que acha que "com amigo não tem que ter estas frescuras". Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.
Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.

7 comentários:

  1. Achei extremamente relevante sua análise e também instrutiva. Agora, você há de concordar comigo que isso não tira a beleza do texto; gostaria de repassá-lo a alguns amigos, mas coloco atribuído a quem?
    abraço

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  2. Olá! realmente o texto é bonito, assim como o atribuído a Shakespeare (ver o texto "Shakespeare aprendeu" de outubro/09), mas quando se faz a análise destes, vemos que alguém colocou nome de famosos, talvez com o intuito de disseminar mais seus textos.
    Quando eu cito textos que não conheço a autoria ou simplesmente duvido de quem assina, costumo colocar como "apócrifo" ou "desconheço o autor".
    Um grande abraço

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  3. A maioria atribui a autoria desse texto à Martha Medeiros, colunista de "O Globo", dentre outros jornais.

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  4. hahaha, perfeito. Nada a acrescentar. E graças a Deus alguém defendeu o Henri, mon amour. Era um pândego, que vivia perambulando pelo Moulin Rouge, fotografando as meninas, pintando feito louco, bebendo todas e se divertindo à beça. O texto não era dele, até pq ele jamais assinaria algo assim, eu sei - não me pergunte, mas eu SEI). Nas cartas para a mãe dele (condessa Adèle, morta de chique) dava para notar a escrita muitíssimo mais elegante que a desse texto. Afinal, era louquinho demais o meu Henri, mas era nobreza francesa puríssima. Ah, o castelo de Albi...:)

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  5. Que maravilha!Pensei que só eu havia lido" Moulin Rouge" e pulado a parte em que ele escreveu alguma coisa... Graças a Deus,minha memória vai bem ainda,apesar dos meus "entas"

    Saudações!!!

    Vera

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  6. Já passei há um bom tempo dos quarentas, também tenho essa preocupação. Hoje recebi um .pps com o texto sobre elegância atribuido à Marta Medeiros, logo percebi que não poderia ser e fui investigar. Parei no seu blog. Já recomendei a diversas pessoa que investiguem. Perdi a conta dos inúmeros textos que encaminhei ao original ou corrigi. Não consegui entender a razão dessas falhas, seriam proposital, preguiça, ignorância, sei lá, sei que é muito desagradável...

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  7. Com licença mais um dos enganos da net... "Elegância de Comportamento" não tem nada de Toulouse Lautrec (e se tiver com certeza foi enxerto de origem desconhecida) na verdade o texto original chama-se Avec Elegance de autoria de Martha Medeiros http://www.rosangelaliberti.recantodasletras.com.br/blog.php?idb=12745 e digo mais quem tiver alguma dúvida procure no google "La rouille de l'éducation pour défaut d'usage" → (Livro: Educação enferruja por falta de Uso, Henri Toulouse-Lautrec / Existe???)

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